domingo, 29 de maio de 2016

norma jeane

meu vestido branco nunca
foi de noiva – eu
sempre fui a outra.
você
me colocou assim.

você
que me queria assim mesmo

alucinada despenteada descabelada embriagada intoxicada desafinada desentoada

você
would you like to fuck me in the tub?
com sua psico
análise

pata – vocês pedem
vocês podem
vocês colocam a coleira no nosso dedo

vestido ao vento
eu pedi?
eu pequei?
você
would you like to fuck me?

você esqueceu os seus sapatos
tão caro
tomei minhas pílulas

do dia seguinte
vocês nos deixam de lábios vermelhos de sangue
e nos chamam de puta

vocês disseram todos que eu não era mulher para casar
com minhas gotas de chanel
número cinco
manchetes me flagram

would you like?

um corpo nu na banheira da casa do psicanalista

sábado, 21 de maio de 2016

vulva - cais



sou um útero vazio
vezes pergunto por onde tem andado
(sei que não devia desconfiar)
confiar

você navega em minha dor
me embriago das sobras alcoólicas em seu hálito

eu sou caos
você me atraca

eu nunca achei que fosse ser mulher de âncora antes de você.

domingo, 8 de maio de 2016

you are in my blood like holy wine

Encaixe.

Eu tenho vacilado.
Eu me doei;
 dê mais, eu dizia
dando menos.

Eu me doei demais –
temos mais
de dois
anos. Luz azul
nos flagrava.

Você encaixa tão bem dentro de mim
que me rouba
de um jeito bom. Gozo,
sinceramente
até demais.

Você me encontra nua
o tempo todo.
Você me (in)veste
de você
o tempo todo.

E eu nem percebi como foi –
nos encaixamos tão bem,
nós encaixamos também.

Meu coração lhe (a)bate;

perdoa os hematomas.