sábado, 27 de fevereiro de 2016

sobre a mesa

descanso impróprio
quase obsceno
desse casal; nós
somos pegos de surpresa
num sono
numa praça de alimentação:
entre beijos e múrmuros,

está tudo bem.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

vértice

desenhos surrealistas na parede
molduras nos censuram
você me acha uma figura indiferente, natureza morta
quando a verdade é: estou triste

tem noites que não durmo
cortei meus cabelos no calor do momento: a loucura!

todo mundo se preocupou em elogiar

na vitrola o disco riscou
when i say i love you you say you better you better you better you bet

aqui ainda se importam comigo

mas me enquadram em traços finos
quase inexistente
me entitulam blue girl
sem sentimento algum

tratam-me como celebridade: a poeta
tratam-me como ameaça: a destruidora de lares

não se pode ter algum talento sem ironia alheia
não se pode ter beleza sem reprodução de machismo

expõe minha falsa nudez num esboço:
um verso debochado de alguém sem talento
a você: não me (per)siga mais

molduras douradas me deixam tão linda...

desconhecidas ameaçam me devorar
conhecidos me inventam de boca suja

eu já cortei os pulsos; uma vez.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

once again

you follow me through the fog
with your dog
eyes
you beg for a rhyme

you don’t know me
by heart
you don’t know me
by sight

sure
we’ve seen each other
a couple
of times

but you just can’t recognize me
I’m not that silly
girl
you used to take

for a walk
now you want company¿
doggie, why don’t you just beg
for anyone else’s bed¿

once again
stop barking
for fast food,

you fool.