domingo, 10 de janeiro de 2016

s t r a w b e r r i e s

dentes afiadíssimos mordem o corpo

da fruta

escorre o líquido todo

sobe o perfume

da doce e azeda vítima

c a l a b a r i s

eu nunca vou ser ana
nem a de amsterdã
nem a do havaí
nem a carioca que se atirou da janela

eu nunca vou concretizar a fantasia de ninguém

as pessoas são terríveis
erram e voltam atrás
apenas para cometer o mesmo erro

novamente -
seu maior erro é não assumir que você errou

você diz que todos os seus erros são justificáveis
mas a essa altura já sei
eu já conheço você toda de cor

você erra e jura nunca mais me ver
você erra e joga a culpa em mim
então volta quando tem sede
se dizendo arrependida
eu nunca mais quero ouvir suas comparações

eu não quero mais ser quem escreve poemas para você
eu não quero mais ouvir seu discurso

hipócrates!

seus valores descem pela canaleta
e você volta a ser bárbara

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

t e m p o r a l

Paredes descascam -
a espera é longa.

Vaio com saudosismos
à distância...

Quando me teve
- pela última vez -
vim com os dedos manchados de tinta.
Fui com as pernas manchadas de sangue.

Sabe amar?

Beija-me pela última vez
numa espera longa -
à distância.

E, num último abraço, a porta se fecha.