segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

6mg

     Todo mundo queria estar morto.
     Virei muitos copos até conseguir fingir. Fingi que gostava daquelas e pessoas e que me sentia à vontade. Declarei “minha querida, creio que estou bêbada” e continuei dançando comigo mesma.
     I’m not the one you’re taking home.
     Vou vomitar ali no banheiro e já volto, minhas queridas. Retoco a máscara para ninguém desconfiar: estou cansada.
     O homem que escorregou e morreu: alguém um dia disse “isto aí é vulgar demais pra moça ouvir”. Meu querido, eu nunca fui essa moça, nem quando fui moça.
     Mas meu amor, a gente junto¿ Não cola!
     E você sabe, meu amor não cola.
     O fato é que esse homem de 47 anos deve ter tido uma vida digna e suas músicas me foram bem importantes mesmo.
     Câmeras de segurança flagram meu atraso: eu corro como quem corre dos problemas. Fecho meus olhos agora: sério, não quero mais problemas, não me force o egoísmo.
     Seus tentáculos me puxam e já não sei mais como dizer.... Não posso fazer nada. Garçom, me vê mais um copo; prometo virar tudo!
     Aquele museu que demos beijos ao som de Cazuza: ele se foi. A gente não, mas uma parte nossa.... Das poltronas vermelhas íamos às estrelas.
     A poesia!
     A palavra!
     A linguagem!
     E a mulher que sou se encontrava em uma maquiagem azul borrada. Do nada. Premeditando pensamentos de quinta sobre como somos perecíveis.
     Hoje a estação da Luz se tornava escura.

     Sr. Jornalista de jornal sério pró-direita: por favor, sem eufemismo. Syd Barrett se perdeu por LSD, não psicodelia. Grata.