domingo, 26 de abril de 2015

De mãos e intestino
vazios
ela permaneceu
inérte
numa plataforma
de trem.
De coração e olhos
cheios
seguiu o trem com
ouvidos'em
expectativa
do eco d'outra metade.
Ele vai de boca e agenda cheias da outra cidade com passagem só
de ida.

domingo, 5 de abril de 2015

nada sobre o seu olhar
julgando tudo
desinteressante.

1/2

Seu perfume se perpetua na minha meia
arrastão. Memórias de suas súplicas,
num rosto contorcido, para não
manchar sua pele de
ruge. Mais tarde eu me deito com outro
só de corpo, sem tempero.

dedada

E num abrir e fechar repetido
do caderno,
esses dedos manchados
de tinta azul
substituem a falta.
Que você faz?
Pois faço poesia
da memória de uma noite.

Sereia

dedicado à escritora A. C. César; outra mulher azul.



Tenho meus seios cobertos por conchas
separadas à força.
E sobre as minhas costas
um navio coberto de crosta
preso a uma âncora. Com seu nome gravado;
que me impede de atracar
ou sequer pegar em ostras.