segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Senhoras e senhores, apresento a vocês Meu Desespero. Desperto da insônia, ouço qualquer notícia irrelevante do noticiário matutino, mastigo o que dá para digerir de ressaca, me encaro no espelho. Não, hoje não vai dar. O que antes me servia de conforto hoje me sufoca. Nesse calor não dá para querer abraço não. Nesse calor, essa cidade só me oferece asfalto. Inconveniência. Hey, olho nos seus olhos e me encontro febril.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

memóire

13.09.2013



É como este cigarro em meus dedos.
Se desfaz em cinzas.
Apenas para me tornar dependente.
Apenas para me matar aos poucos.
Apenas para me invadir os pulmões.
Eu me afogo.





Ar de quem finge que respira;
me vem com a boca cheia de dentes
e o sorriso que nada diz.

Perfume de quem não esconde que transpira.
Frio.

É tanta contradição que chega a ser comum.
Nos dias de hoje.

Você é diferente.





Eu me encontro no círculo da sua impressão digital.

Danço neste ciclo.

E me perco, de tonta

domingo, 4 de janeiro de 2015

"Na parede da memória..."

pendurei apenas a moldura

do espelho na parede; por ser perturbador já

não me reconhecer. para ver se me vejo

além da parede suja. para ver

se me enxergo.

além da janela, alguém

me buzina

Belchior - também chorou

a juventude. envelhecer

é clichê.agora

que só meu cabelo cresce.

as desculpas

acabaram, meu bem

me diz que é preciso

gritar. até ficar

rouca,

meu bem. buzina

a canção. e foi o primeiro a alcançar

a velhice e Belchior.

tirou o bigode

para não sê-lo. bom,

mas clichê.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

île


janeiro, 2014


Noite de quinta. Não é nada pessoal, mas você me faz correr. Na verdade, sim, é pessoal. E corro para longe. De você. Nada sei, mas gosta de mim, independente do que queira dizer com isso. Quem sabe. É você.
A verdade é que não. Quero dar as mãos ao mundo.
Pontuação. Algo sobre ambiguidade.
Fico, atualmente, neste ponto; (quase) instável.
Era noite de quinta, ontem, e eu não me lembro. Se bebi! Era noite de quinta, todo dia da semana, e eu não me lembro. Que deu errado! Memória de fotografia. Embassada.
Revelo.
O filme deve começar daqui a quinze minutos - que passaram como horas, dias, semanas. Pandora, você diz. Pandora, vamos entrar em qualquer sessão.
De fotografias constrangedoras.
Memória que preferia não revelar.
O filme. Gosto. Da atriz. Pouco sei, mas gosta de me levar. As lágrimas. Ela parece sempre esperar. O príncipe encantado como eu espero. Quem entenda de vinho e filmes franceses. " Bomba e Brigitte Bardot". Que eu quero seguir vivendo.
Amor.
Vê se não interrompe. As lágrimas. Com sua voz. Pandora, arruma o sutiã. Com sua tentativa. De beijo de menta. Vê se me...
Arranca o sutiã, mas não me diz. Nada. Carinhoso. Acho que eu poderia detestar.
Você.
Agora.
É brochante. O filme segue. Em frente. E eu já não suporto. A sua voz. Pandora, não vai embora. 
Agora.
Eu vou. 
E vê se não tenta. Beijar. As minhas lágrimas, que paciência. Não me resta. Alternativa. Era. Sumir. E eu corro.
O risco do lápis que apontei. Como quem aponta a arma, o dedo. O medo.
É seu. Problema.
Se o  filme fala. De fetiche. E franja. Pandora que sabe se é mesmo. O diabo.
Não consigo me importar. Ou me exportar. Com sua voz de menta. Pandora, não abre a caixa. Pandora, fecha as pernas. Pandora, faz direito e come. A maçã. Deixa eu morder. Seu sutiã está fora do lugar. Deixa eu arrumar. O cordão de.
Isolamento. De som.
Fico aqui. Com a instabilidade. Amor. E vê se não tenta fazer parte do meu.
Silêncio! 
Quero dormir. Sem você. Que já tenho outro. Sonho em mente. Quem me é anterior. A você. As lágrimas. Não tem chão. Mesmo Caetano.
Torno público meu amor pela forma. Como os franceses acentuam ilha.