domingo, 21 de setembro de 2014

see saw

Senti a febre do mundo
com você, naquela noite
de janeiro; nada lembro -
além de nosso hálito
de cerveja. Nossos beijos
fermentados, os músicos
faziam-se luz, nosso fogo
flagrado: um antigo vinil.

NOIR; dois estranhos e o familiar
despudor. Eu só quero a sua sede.
Você me quer em seda,
você quer mais que eu ceda.
Mas não vamos assumir. Palavras
de amor muito complicam - criam
necessidade de exibir pactos.
Nessa cidade: mais uma alma vendida.

Entregamos nossos vícios de homem
e mulher; nos fizemos gente livre
na prisão que era seu corpo
no meu abraço; Cabia apenas a você
e a mim idealizar a vida
que levaríamos. Nas costas as despesas
de se viver sem falsas expectativas.
Demos apenas alívio um ao outro.


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Senti o frio do mundo
de você, ontem a noite
de agosto, tudo lembro -
sobre tudo o hálito
de café. Os seus beijos
muito dispersos, no teatro
fez-se escuridão, nossa clareza
anuncia: há conteúdo inédito.

No ar; dois conhecidos e o estranho
acanhamento. Eu só quero seu retorno.
Você me quer em torno
de si. Quer que eu me torne.
Mas não vamos dizer. Novos gestos
de desejo muito facilitam - realizam
uma abertura para nós.
Em aberto: recuperar nossas almas.

Satisfazemos nossas vontades de homem
e mulher; nos escravizamos
ao prazer que é ter seu corpo
tão livre. No meu abraço
cabe a nós. O mundo para sermos
alívio um do outro.
Mesmo depois de tanto tempo, expectativas
que não temos. Nos fizemos bem.