domingo, 21 de dezembro de 2014

More.

It's not that I don't like you
anymore.

I really hope you have a comfortable chair.

'cause, honey. You'll just have to wait. You'll just have to do something
about your self-
ish-
ness.

About all of your confidence.

Oh, I know!

I'm just not that weak anymore. I feel
happy.

Sometimes I have you.
On a beautiful dress
at this beautiful beach
while I'm having this beautiful dream.

I wake up
crying.
I call you.

Once
upon a time
you told me about a dream you've had.
About my body.
And you also woke up
crying.

Sometimes I just realize
how happy I am
now.
And I just don't know if I want you.
And I just don't know if I want
to believe
in love.

I really hope you've got a comfortable chair.

'cause when it's all about sharing...
all we've ever had was that silence.
That
beautiful
silence.

Was it too real?

Sometimes I think you were just faking
those orgasms.
Those tears.
Those words.

Babe, I see the way you look
at them.
At all of them.
And I don't have a chance.

You're just an appetite.

I don't know if you're ever gonna change.
You are too young.
You are too old.
I'm too...
woman?

You're just like the men
you are all expected
to be.

And I'm not that proud of you
anymore.

I love the sad look
you have in your eyes,
because it reminds me you're
human.





Oh, darling!

Living is all about leaving.
Leaving is all about living.

Alguém já deve ter dito e não vou botar a mão no fogo; foda-se.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Ela.

E agora que o seu rosto - e corpo, jamais me esqueço do seu corpo - só me são concretos em sonho? Que acordo nessa ansiedade gritante... Por seu toque, por seus beijos, por cada curva sua - e quantos acidentes elas me contam.
Lembro-me da última vez que derrapei. Eu, sempre tão racional, resolvi pegar você naquele dia de chuva. Acelerei. Colisão. Dois corpos... Seu cheiro e daquele hotel barato de estrada. Sempre em mim, sempre em mim. Na minha cabeça estou sempre em você.
Lar, doce lar.
Mas seu calor e sua voz me abandonam em uma lembrança muda. De seu olhar me devorando tanto, me corroendo tanto... Que eu não pode encarar. 
Encaro constantemente a fuga de suas costas nuas.
Silêncio.
Algo sobre estar com alguém... Números a frente. Tento fazer o mesmo. Tento mantê-la visível, mas some.
Ficou algum alerta por escrito, sobre atravessar fronteiras, sobre últimas chances. 

domingo, 23 de novembro de 2014

asma

de susto em susto
insulto
é surto
a corda!
é bamba
a perna
à perna
vizinha
mais cinza
num desmatamento
mecânico
que  nunca
mais

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

la piel que habito

Vez ou outra alguém aí me chega e pede flores para deixar
lá no vaso, morrendo,
secando
com São Paulo
a minha memória.

Lembranças à mãinha...
Pulseiras
da sorte
de toda a América.
Latina, foda-se a febre,
dissestes, ajeita teu cabelo, arranca
teu couro e cobre
de seda esse corpo.

Demarca o território a mijo e etiqueta,
estrangeirismo e ignorância.
Mas sangrar é feio
quando não for por ti, acrescenta.

domingo, 21 de setembro de 2014

see saw

Senti a febre do mundo
com você, naquela noite
de janeiro; nada lembro -
além de nosso hálito
de cerveja. Nossos beijos
fermentados, os músicos
faziam-se luz, nosso fogo
flagrado: um antigo vinil.

NOIR; dois estranhos e o familiar
despudor. Eu só quero a sua sede.
Você me quer em seda,
você quer mais que eu ceda.
Mas não vamos assumir. Palavras
de amor muito complicam - criam
necessidade de exibir pactos.
Nessa cidade: mais uma alma vendida.

Entregamos nossos vícios de homem
e mulher; nos fizemos gente livre
na prisão que era seu corpo
no meu abraço; Cabia apenas a você
e a mim idealizar a vida
que levaríamos. Nas costas as despesas
de se viver sem falsas expectativas.
Demos apenas alívio um ao outro.


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Senti o frio do mundo
de você, ontem a noite
de agosto, tudo lembro -
sobre tudo o hálito
de café. Os seus beijos
muito dispersos, no teatro
fez-se escuridão, nossa clareza
anuncia: há conteúdo inédito.

No ar; dois conhecidos e o estranho
acanhamento. Eu só quero seu retorno.
Você me quer em torno
de si. Quer que eu me torne.
Mas não vamos dizer. Novos gestos
de desejo muito facilitam - realizam
uma abertura para nós.
Em aberto: recuperar nossas almas.

Satisfazemos nossas vontades de homem
e mulher; nos escravizamos
ao prazer que é ter seu corpo
tão livre. No meu abraço
cabe a nós. O mundo para sermos
alívio um do outro.
Mesmo depois de tanto tempo, expectativas
que não temos. Nos fizemos bem.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

чернила

Embriagada diz rasgar concreto como quem rasga tecido; aponta para a tinta

descascando, revelando o jogo:

tijolo por tijolo se encaixando assim, sob a tinta.

Sob a pele

fresca, um coração acelerado; seu rosto que cora.

Escora no concreto, escorre a tinta fresca.

Embriagada diz que lhe rasgam a pele como quem rasga concreto; aponta a tinta

escorrendo; lágrima.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

o c e a n o

nada

meu corpo inteiro

que comigo só pode 

quem está a favor da maré


a mim só agenta água


viva e me cospe fogo


me nada


o corpo inteiro já 


é seu 

oceano

domingo, 6 de julho de 2014

alone alone above the raging sea [ GARRANCHO ]

...a seguir, uns trechos de um possível possível.  


" [ ... ] Ela vai cantar.
Eu sei.
Sim; e começa com o seu I could drink a case of you, oh darling, faz a sereia. E me olha: embriagada. Mas não completa, deixa  apenas a voz de Joni Mitchel declarar que, sim!, poderia me consumir até a alma e se manteria em pé. Sim.
Justo agora, meu bem, você tropeça. Joga a cabeça para trás, e me sorri. Aquele sorriso que me trouxe para perto de você um dia.
Se não vou me juntar a você? O vinho está tão bom... Escolheu aquele que gosto.
Não. Meu corpo está preso á parede. Observo você preparar a armadilha, como se farejasse muito bem. A sua pele toda arrepiada, o corpo que se recusa a se cobrir por qualquer coisa que não seja... Eu.
Tô indo embora, tento dizer.
Tô voltando para o meu futuro lar, entende?
Nada sai. Nem mesmo um sorriso. Nem mesmo uma lágrima. É apenas a aflição de olhar para você, minha ilusão. Minha verdade conformista: de que os leões estão a salvo nos zoológicos - enjaulados, de comida e sexo controlados, supervisionados, veja só! Minha ilusão de ótica. Você, seu sorriso me tranquilizando, seus seios me atraindo, e seus olhos, por fim, me devorando. E quando vejo, estou me afogando na sua boca, gritando seu nome.
Seu nome, por si só, já é a promessa de me devastar.
Dessa vez não, não pode ser assim. Saio da sua frente, busco meu casaco. O cartão postal ainda no bolso. Meu coração acelera.
Ô, Ana. Ô, Ana.
Sua voz é um eco sem resposta. Sua voz é linda. Sem resposta. É uma passagem só de ida.
Ô, Ana. Vê se não emagrece mais...
Que eu vou ficar sem graça; que eu vou acabar sumindo. Nada respondo, dessa vez. Apareço na sala, vestida.
Passo por você, depressa demais. Para sentir seus olhos. Não, não os sinto. Não a sinto. Até que a sua voz me chama uma última vez.
- Ô, Ana. Onde você vai?
Lugar nenhum? Vale dizer a verdade? Quando percebo, estou fechando a porta e minha voz chega, densa.
- Tô indo comprar seus cigarros. E já volto.
Desapareço. Dos nossos nomes, que hoje parecem tão falsos. Desapareço. Com um cartão postal que não nos pertence. Desapareço. Com um destino que vai excluí-la.
Excluir-me do resto da sua história.
Essas ruas não sentirão mais nosso tato. Voltarão a sentir o cheiro de mijo. Voltarão a procurar outros entorpecentes. Saímos do ar. Como um espelho: precisamos uma da outra para que se tenha reflexo. Mas eu desapareço, e você também.
Ô, Ana...
O eco se vai. Hoje choveu muito. O táxi arrancou com força. O avião decolou assim, leve, levíssimo. O vinho me caiu bem.
Serei mancha em cartões postais que talvez receba um dia. Um dia, talvez. [ ... ]"

quinta-feira, 22 de maio de 2014

do exterior

não posso

fazer nada

se você me aparece

em sonho

e nada (em) mente

o oceano entre nós

não é pacífico

e traz à baía

um amor que não pôde

crescer

meu coração é preso

político e exilado

domingo, 27 de abril de 2014

vermelho

" [...]  E o que me faz querer ser racional?
Já era verão quando voltei. Já era mais resistente á cerveja, já era mais compreensível às letras de Caetano. Já sabia os gestos de cor, o caminho de cor. Tudo de cor. I knew you by heart. O sol nos livrava das roupas, o sol nos livrava daquele rastro de neve. O sol nos livrava de nós, o sol nos livrava com Transa, o sol nos livrava e Caetano me livre, cerveja me livre. Uma vitrola sem agulha de testemunha.
As molas silenciaram-se e deram espaço às declarações vazias do que foi feito do rastro. Ninguém tem muito a dizer. 
Se eu fosse dirigir um filme, por que teria cores e, principalmente, por que seria linear?"

domingo, 20 de abril de 2014

esboço de roteiro de filme amador branco e preto

Versão - por enquanto - censurada; porque sim.


" [...]  Café caro na mesa, conversa de cerveja barata. Os últimos clientes daquele espaço reservado aos ricos, os ditos cultos, os que fingem saber algo de cinema. A terceira idade passava por nós e eu confessava meu medo - para não dizer desânimo - de envelhecer (de verdade). Está alguns passos à minha frente, e riu. Riu. Minhas mãos tremiam. É inverno.
Não engano ninguém, sabe bem. É a terceira vez em um mês; deixo a máscara cair em gestos pequenos. Invento grandes desculpas, feito criança.
Seguimos em frente. A essa altura já era domingo, e era inverno. Estava prestes a envelhecer - oficialmente.
Segurou minha mão. Paramos. Ainda não concluiram aquela obra, se quer saber. Estávamos em frente à construção quando me disse que não podia ir sem tentar.
Naquela noite confessamos nossa falta de fé nas coisas; para acabar assim. 
[...]
Eu sempre me obrigo a sorrir na derrota.
A verdade é que frustração sempre se resumirá, talvez, no"talvez". 
Vivo ciente de que qualquer vestígio de história idealizada é (ir)responsabilidade nossa. Sim, não há nada de muito bonito em finais tristes. E há tudo de horrível naquilo que não está concluído, e mesmo assim está ali, visível, como aquela obra. Sempre fica a dúvida. O que seria se a tivessem concluído? Será que teria continuidade? 
[...]
As pessoas todas pareciam mais distantes do que nunca. Agora eu me desfazia na queda livre. Agora era tudo contradição; e eu, mesmo com medo, gostava. Gosto. Do suor quente em pleno inverno. Das impressões digitais se confundindo, e de um individualismo a dois. O mundo era distante. Eu sempre gostei da ilha, desse ideia. Da estupidez dita entre quatro paredes, a crença  que se faz no vazio... Então tudo, tudo ali, era uma confusão que se transformava em paz. 
Esquecemos de tudo que a neve cobriu. Era frio, era confortável, era distância. Mas era o que nos mantinha vivos; o desacato às visitas religiosas, a ignorância às etiquetas e as confissões pequenas (mas tão grandes) no final. Tudo se misturava bem. 
Confissões dos fetiches mais absurdos aos preconceitos mais aceitáveis; meu olfato às vezes sente essa tranquilidade pairar quando me encontro só - naquele sentido de privacidade. De vez em quando choro, quando sangra.
Solto um riso solto para ver se serve de disfarce. Rá rá rá rá.
[...]
Escrevi páginas e mais páginas sob o efeito do silêncio. Silêncio. É aquela resposta contraditória ao caos. E dói. Nada justificará a minha falta de expressão. Nada justificará o meu silêncio. O medo não é justificativa, o medo não é conveniente assim. Acabaram-se as desculpas, mas não deixei a máscara cair quando foi necessário; agora já foi.
Foi.
Foi.
E foi.
Simplesmente: foi. Nada mais, nada menos. Tudo se resume a três letras, e vendo de maneira racional, parece fácil. Ser racional parece fácil. Mas não há ser racional resistente ao "nunca"; que dirá ao "nunca mais". [...]

Continua, porque sim.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

exílio






botei na balança

você  não  pesou

botei na peneira

você não  passou




Caetano.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

à queima roupa

(em)bala perdida

                            tiro a roupa
                            do corpo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

" Ela é perfeita."

enquanto eles quebram o pescoço
                                                     
                                                       me entrego à poesia alheia e à cerveja
          belga.

o que não me falta é pé no meu chão
                                                           para vomitar.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ponteiro

O que resta é saber, meu bem, o que fiz da minha inocência, ingenuidade e outros eufemismos que usou para burrice.
Ponto. 
Ponto.
Ponto.
Porque eu volto, querendo um brinde ou.
Dois.


Mil (e catorze) homens passam (por mim) com seus compromissos de copo e de cruz, com suas gravatas de forca, com suas camisas de força e seus paletós de bolsos recheados de fome. Decadência (me) pede esmola; e você (me faz) pergunta.


O que foi feito de(prima)vera, quando.


O que resta é saber, meu bem, o que fez da minha inocência, ingenuidade e outros eufemismos que usei para medo.
Ponto.
Ponto.
Ponto.
Porque (dá a) volta, (me) querendo.