quarta-feira, 17 de abril de 2013

je t'inventerai des mots insensés que tu comprendras


                                         "C'est la vie", say the old folks, it goes to show you never can tell.

Não sei, a cada passo que dou, a cidade se perde, a cidade me perde. O clima me pede, os sapatos me prendem. A situação me fede, a solidão que me segue. Mas aí... Vestígios de felicidade. Ah, mas ela cede. 
Desmorona em cima de mim, e morro alegre, sorrindo. Como o alcoólatra que se afogou no barril de uísque, ah, vamos morrer de vício.
Vamos morrer todos de sorriso, de egoísmo. De desculpas, sim, desculpas do tipo " Desculpe-me, mas a gente vai ter que brindar agora, porque não se grita la vie en rose sem ter bebido o suficiente para parecer extravasar a fúria, a fúria, ah, a fúria! É preciso segurar em algo, agarra na minha mão agora, agora..." , ah, não, não fazem meu tipo.
Porque se for pra viciar, que seja de verdade. Se for pra delirar, que a causa seja boa. Não, que a causa seja ótima. A melhor! A melhor mesmo; vamos exigir. 
Na caixa preta do meu ser eu sei que toca o Lado B, porque o Lado A é sempre o evidente. B, poucos os que entendem, aturam. Que permito, dou passagem. Que dou a brecha. No fundo, a gente que dá a abertura. E assim fica.
Não se assuste, a música pode parecer triste, mas presta atenção. Como é bonita... 
Não estou dizendo que vamos todos morrer engasgados com a própria saliva, mas isto aqui está simplesmente fantástico! Naturalmente feliz, que maravilha, mais natural que melancolia talvez. Não vamos entrar em pânico, porque já sabemos todos que o avião vai cair logo no início. Mas presta atenção na caixa preta. Veja só, como a coisa se desenrola. Para que brincar de múmia? C'est la vie... Não me deixe agora; falando sozinha. Deixa o mundo se acabar lá fora.
Deixo tudo morrer lá fora e deixo meu corpo se perder naquela desconhecida leveza que Milan Kundera sempre cita... Não sustenta! Mas que o gelo se quebre mesmo, os mímicos que se afoguem. Eu é que me dane, quero mais que me ame. Quero mais é que tudo seja de uma simplicidade absurda, com direito ao gago citado por Binoche dizendo Ma-ma-ma-marie! e essas pérolas. Ah, afogo-me, ah, perco-me. Ah, a alegria!

Ne me quitte pas Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler Je me cacherai là
A te regarder Danser et sourire
Et à t'écouter Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main L'ombre de ton chien