segunda-feira, 12 de novembro de 2012

I never had the nerve to make the final cut.

Through the fish-eyed lens of tear stained eyes
I can barely define the shape of this moment in time
And far from flying high in clear blue skies
I'm spiralling down to the hole in the ground where I hide

Minha mão agarrava o lençol. Com toda força que me restava, eu o apertava. Faltava fôlego, e eu tentava recuperar entre um soluço e outro. Lástimas ditas em alto e bom tom; assim que me encontrava. Tentando solucionar no delírio a situação na qual me encontrava. Encontrava o que eu não encontrava. O meu corpo tremia de frio e medo naquela maca. Peças de roupa em algum canto do cômodo. Eu tremia. As lágrimas corriam, e eu só conseguia me rebater. Era um peixe fora d'água. Os gritos escapavam da minha garganta de maneira tão espontânea que eu apenas os ouvia, não sentia. Mas eu continuava presa à maca; minha cabeça rodava, e eu tinha sempre a sensação de queda livre. Quando eu já tinha chegado ao chão. 

If you negotiate the minefield in the drive
And beat the dogs and cheat the cold electronic eyes
And if you make it past the shotgun in the hall,
Dial the combination, open the priesthole
And if I'm in I'll tell you what's behind the wall.


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There's a kid who had a big hallucination
Making love to girls in magazines.
He wonders if you're sleeping with your new found faith.
Could anybody love him
Or is it just a crazy dream?


Torno a falhar, meu bem. Porque torno a falar. Então é assim. Chego com esta cara de quem não quer nada; a mesma cara de "não quero me apaixonar" que é conveniente fazer às quintas. No fim, estou aqui. Onde tudo começou. Para variar, e só.
Só.
Pergunte aí o que eu disse, a música está boa, a música está alta. Vou contar o caso sem nexo da nota Sol para disfarçar o Só; todos sabem maquiar a solidão. Não, meu bem, não é bem assim não!
Só sei de tudo que aconteceu comigo, só posso dizer isso. Falar ao meu respeito, e torcer para que ouça. Para que leia. Mas eu sei - sim, eu sei - que fluxos mentais desenhando frases aleatórias na tela eletrônica não interessam a ninguém. A não ser que eu me chamasse Graciliano Ramos. Enfim, ninguém vai me ver.
Minha discrição me conforta assim. Acho que posso me surpreender então. Sou apenas uma esquecida no campo de batalha. Talvez a única sobrevivente, ou a única que se prendeu a isso aqui. A luta por aquilo que supostamente quero. Ou alguém determinou que quero? Posso fazer uma pergunta?
Você acreditaria em mim? Se eu disser agora que meu quarto é uma trincheira. Tudo aqui parece um punhado de restos mortais de um confronto que nunca existiu. São trapos da farda que fantasio ser de outro soldado que formam as palavras nos discos que coleciono. E quem é que se importa? Quando eu, eu mesma, tento me convencer que nada disso existe. É uma guerra que eu mesma inventei.
Não quero uma resposta. Juro que não. Quero ver o sangue coagular, porque a ferida escancarada é real.
Eu me vejo cercada.


And if I show you my dark side
Will you still hold me tonight?
And if I open my heart to you
And show you my weak side
What would you do?
Would you sell your story to Rolling Stone?
Would you take the children away
And leave me alone?
And smile in reassurance
As you whisper down the phone?
Would you send me packing?
Or would you take me home?


No banco traseiro do táxi, meu destino é Piauí. Infelizmente, não sou livre para me exilar, então o motorista apenas passa pela Rua Piauí, para me deixar em outra rua com estado brasileiro.
Minha cabeça parece dar a última rodada, e a cidade me atropela no momento em que as rodas aceleram. Arranho o banco de couro, jogo a cabeça para trás e fecho os olhos com força. Não sei quando foi, mas de repente o delírio me parece real. As aranhas; juro que tenho sido perseguida por aranhas.
Irônico. Mas nenhuma venenosa. Tenho preenchido cadernos com textos cheios de metáfora... Sou Eva, morrendo envenenada com a maçã. Branca de Neve então; será necrofilia se Adão não resistir à oferta da maçã? No fim, mulher leva a culpa por oferecer nua, é dependente de uma costela... Louve a serpente.
Isso sem falar da insônia.
De olhos fechados vem tanto delírio, tanta verdade... Ouço e ouço, mas não tem som de vozes,  ou molas se contraindo e se esticando sem parar. Abro, e sei que estou acordada. Mas eu ouço sem querer. E sei o que vejo. Sei com quem vejo. Mas sei com quem desejo estar. E que diferença isso faz para os outros? Quando é muito mais fácil calar e manter os olhos opacos. E calcular, calcular...
Por que números precisam ser tão complicados? E insensíveis, talvez. Que deve dizer das letras então, que parecem dar valor àquilo que não faz sentido. Não faz sentido.
E os extremos me abraçam e me acompanham pela madrugada fria... O frio psicológico que parte do meu próprio vazio. Interior e exterior. Porque eu sei que tudo isso aqui é uma farsa. E, mais do que nunca, tenho a prova de que sou vista como substituível. E isso é pior do que tudo.
Só que não vai saber disso. Eu sei que não.
E eu não desejo. Talvez devesse, por uma questão idiota chamada "orgulho"... Mas eu nunca faria isso.
Vamos lá; é uma réplica. Como é que explico então? Não dá para ver a diferença? É apenas superfície...
Não, não quero explicar. Porque quando abro os olhos, sei que tudo o que o mundo ouve é o som dos carros. E, infelizmente, dos tiros. Parece que estamos no meio de uma guerra. Infelizmente, torno a repetir.
E ninguém vai ouvir o meu berro abafado por um silêncio que me sufoca. Uma palavra positiva me faz falta. E QUE DIFERENÇA ISSO PODE FAZER NA VIDA DE ALGUÉM, eu berro. Eu rasgo a ferida e minto que os vermes vão dar conta da carcaça. Até os abutres esqueceram da minha existência.
Como é que eu posso dançar ballet clássico de pernas quebradas? É só delírio.
O taxista vai perguntar para onde desejo ir. Quero estar no livro que o homem formado em Literatura segura, mas tem uma aliança dourada na mão esquerda. Não ligo. Posso dizer que vou para o ensaio fotográfico na casa de Lewis Carroll. Mostro a identidade; passei da menoridade, e não posso mais bancar a boba.
E deixa eu contar a grande novidade para o mundo. Não vou pegar a estrada com a desculpa de quem não tem a carteira de motorista, sabendo que eu mesma quebrei estas pernas. Apontei o dedo na direção do outro soldado.
Solda então.
Quando pegar o trem das onze, solda meu coração nos trilhos do trem.
Ainda bate, ainda sangra. E eu, vazia como estou, agradeço que a linha verde do metrô esteja interditada hoje, porque não conseguiria me equilibrar diante da inércia. A quantos quilômetros por hora eu seria arremessada pelo vagão. Estenderia a mão? Porque estou aqui, meu bem. Com a mesma cara de "não quero me apaixonar" que todos fazemos ao encarar os olhos da outra pessoa, na tarde de alguma quinta-feira esquecida no passado. E o escudo só funciona quando menininhas carentes encaram o professor de Literatura com aliança na mão esquerda; manhãs de quinta.
Taxista diz para Deus me abençoar, e penso em Tupã. Eu, soldadinho nacionalista! Mas apenas desejo o mesmo, fingindo que a trincheira vai com ele pelas ruas da cidade. Sei que retornarei a partir do momento em que me encontrar solitária, notando o vazio que arde no lugar em que deveria sentir o coração bater.
Sei que eu sinto de verdade. Tudo.
E tudo isso poderia ser uma declaração de amor ou uma crítica estúpida, mas quem é que liga para fluxos? É apenas sangue bombeado. BOOM!


Thought I oughta bare my naked feelings,
Thought I oughta tear the curtain down.
I held the blade in trembling hands
Prepared to make it but just then the phone rang
I never had the nerve to make the final cut






PS: Nada a ver. Mas hoje faz um ano que um Beatle - RIIIIIINGO :) - apontou pra minha cara, e embora eu não seja mais tão louca por nenhum dos meus ídolos, lembrar disso me emociona. Porque os Beatles fizeram mesmo parte do meu amadurecimento, muito deles lembra acontecimentos importantes (pelo menos para mim) da minha breve vida. E eu amo o Ringo... E foda-se se isso aí é digno de tomar um "foda-se"; maior hipocrisia acabar post com "espero que tenham gostado" ou justificando atraso. Ainda mais se as ideias nem são suas. Ame-me ou deixe-me em paz, tchau.