quarta-feira, 25 de julho de 2012

pra não dizer que não liguei


Nós desfeitos não querem dizer muita coisa quando prefiro não demonstrar.
A liberdade é um verdadeiro enrosco, cara, e nada do que sei cabe na linha telefônica.
Bom, é que eu acho que justo seria explicar, mas não sei bem como explicar que sou livre quando presa.
E assim, sem perguntas incoerentes para responder, nada parece fazer muito sentido e qualquer palavra que sair da minha boca pareceu uma luta em vão.
Derrubarei uma floresta inteira para conseguir expressar, e vai continuar sendo insuficiente.
Laços desatados agora seriam tão trágicos quanto uma corda de guitarra arrebentada...
Ouve, meu silêncio tem ecoado e pareço não ter retorno.
Procurei nos dicionários; mas de que serve um dicionário se não sabemos a palavra que procuramos?
Encontro respostas sem pergunta, essa é que a verdade... 
Como vê, o sentido não se encontra no bolso, acho que amputarei os bolsos de todas as minhas calças; e arranje-me um cinto.
Tenho forçado sono para ver se me prendo à cama e sonho com algo que possa ser conveniente.
Mas têm faltado parágrafos em cada texto meu e acordes no que ouço.
Abri a carteira para ver se lá encontrava minha inspiração, mas só encontrei umas notas sujas.
Eu fico me perguntando se as coisas que tenho para dizer vão caber na mala; nem tenho para onde ir.
Quero aquilo que se encontra em uma voz desafinada e em um sorriso torto.
Quero o que falta para não sentir falta, é isso. 
O que a gente sabe que existe; sem padrões idealizados... A verdade bela. E rara.

domingo, 22 de julho de 2012

she was just seventeen and you know what i mean


Anoiteceu e sinto o gosto do capuccino caro na boca. Algo que aquece - um pouco. Meus passos seguem, meu celular toca, David Bowie berra no lugar de alguém, e bate a preguiça de viver. Só tenho 17 anos e me vem a sensação de "espero morrer antes de envelhecer". Pergunto-me se antes de partir vai dar tempo de ler tudo e ouvir tudo que quero. E escrever no nível que pretendo - embora não conheça... Sei lá. Viro a esquina que dá para a rua de casa e só consigo pensar neste lugar com desconhecida melancolia. Quando eu tinha dez anos era tão legal pensar que aos 18 estaria longe daqui... Aí a gente cresce e esses sonhos... crash. Embora conheça muitos que pensaram assim até os 17, falta de tapa na cara, com certeza. Paciência. Paciência me falta; intolerante a certas atitudes. Serei uma velhinha ranzinza com pouca coisa interessante para contar - tomara que não -, e mesmo assim há quem vasculhe as minhas gavetas. Mas eu me pego sorrindo com lembranças agradáveis, algumas um tanto aleatórias. As emoções podem subir e explodir feito fogos de artifício - cores belas, barulhos irritantes. Véspera de ano novo.

domingo, 15 de julho de 2012

Caio das estantes, querida, caio de instantes.

Caio do céu, moça. Só para fazer você acreditar que a vida não é só inferno. Caio nos seus sonhos e você não tem do que reclamar; só quer um pouco desse paraíso. Tiro um pouco da sua dor quando meus olhos varrem sua alma; tão pesada. Moça, você tem medo de ser leve, mas sabe que lhe caio muito bem. Caio tão bem em você quanto uma luva na mão. Eu imagino que você vai dizer que lembrou de George Harrison, mas sei muito bem que vou satisfaze-la se citar Machado de Assis. Caio das estantes, querida, caio de instantes. Caio assim, com essa cara de santo e um sorriso de quem não é  tão santo - aí que venço. Colocou os olhos em mim quando eu estava de joelhos; nosso primeiro contato. Caio como quem vai respeitar você; é o que a posição de vassalo diz. Caio como um travesseiro depois de uma madrugada de lágrimas, e você segue sorrindo. Caio como esperança - tinha que ser; é tão desconhecida em uma mente depressiva como a sua. Caio tão bem no seu organismo quanto água pura. Caio tão bem quanto um casaco e um lar para você, que passou frio. Caio tão bem quanto o que a tornaria completa. Mas para isso tudo você tem que ter coragem de me agarrar quando caio nas suas mãos. Vista-me, moça, porque quem precisa cair é você. Caio tão bem quanto você sem máscara, Clarice.

Não leve rascunhos a sério.

Minhas mãos estão sujas de tinta e ainda parece mais bonito do que sujas de dinheiro ou mais saudáveis do que sujas de nicotina. A caneta vai escorregando num garrancho espetacular e sinto minha mente fluindo na folha do caderno. Espontâneo. Reflito sobre loucuras.Eu disse para mim que era preciso estar sóbrio para brigar e louco para sorrir. Agora discordo, sabendo que sorrio sem estar sob o efeito da bebedeira. Minhas mãos  estão suando e borrando as palavras. Ontem a noite conclui que os bêbados verdadeiramente bonitos são os tristes, na lama. Esses sabem porque beber e porque morrer, mas não têm coragem de puxar o gatilho.