sábado, 9 de junho de 2012

A grand piano to prop up my mortal remains.

E não foi por aqui que nós entramos? É assim que termina e começa tudo, mas sabes muito bem o que penso: não tem fim, não tem começo. Andando em círculos, caro leitor. Quem prestou atenção nas instruções de voo sabe que este avião sempre cai - a rainha nos quer na guerra; disputaremos território.
És parte de todo espetáculo; mas quem diria. Enquanto as bilheterias desistem do meu monólogo vou tentando, em vão, escalar o muro. Meus dedos já estão mais do que feridos, de tanto tentar fixar meu corpo à estrutura sólida. Agora posso compreender muito bem que o concreto e seus retângulos tão perfeccionistas - ora, mas é claro! - me atraem; mas não me aceitam. Assumes? Não, não... Mentes para agradar. Interpretei as metáforas do muro já faz um bom tempo e só Deus sabe porque me apaixono por tapas na cara com luvas de pelica, chutes no estômago com botas do exército e cortes na pele com lâminas comunistas - enferrujadas; querem o pouco ferro do meu sangue oxidado, oh! Tapo meus olhos com minha máscara favorita, e finjo não perceber que cada mentira é um tanto esfarrapada; chega a ofender a suposta inteligência humana. Sabes onde quero chegar.
Segue o velho papo furado das asas de pássaro. Digo que tenho destino idealizado, mas minhas asas estão quebradas. Depois vou dizer que sei voar, mas não tenho para onde ir. Podes ver, não? Não passa de disfarce. Da mesma maneira que mantenho-me presa nesta gaiola destrancada, esperando teus dedos para me alimentarem, alimento as falsas esperanças. Espero teu dedo para subir e cantar, enquanto canta a mesma música que ensaio para algum outro pássaro.
Encaro o que sobrou; meu quarto mais parece uma trincheira. É lembrança atirada para tudo quanto é canto; e a falta de brilho nos olhos dos cadáveres indica a ausência de vida. Acabo sem mesmo ter a minha inocência, minhas expectativas e meu sorriso de volta - sabes contar dinheiro, o troco está errado. És uma fotografia rasgada agora... " Sem cor sem perfume / Sem rosa sem nada"; como todo início lancei o "que seja infinito enquanto dure". Lembras? Ah, mas... Oh, se eu quisesse mãos mais frias que as minhas...
E meus dedos que agora se ralam contra a muralha ficariam bem melhores sobre a corda deste violão que me encara, sabes muito bem. Não o toco há meses; talvez nunca mais encoste a ponta da unha. Dar o fora; deixaria de lado esse esforço e me daria ao luxo de montar uma canção de audiência estupenda. Era isso que eu deveria ter feito, mas quero fugir do lógico; hei de morrer na miséria material e espiritual, caso se concretize o que praguejas na capela, e seus trajes de tratados convenientes da vida.
Cometerás adultério no momento em que der as costas ao aliado; és tão hipócrita quando aquele que canta sobre a tal Young Lust para depois fazer a pessoa provocada suplicar com Sexual Revolution, sem sucesso. És quem faz do coração alheio motel, plantando semente do ciúmes. Não sairás tão cedo do coração; pelo amor de Deus, preciso dar o fora daqui!
Gemes; é o prazer de ultrapassar fronteiras do inimigo. Eu gemo de dor. E depois de chegarmos ao ápice ela engravida, tu adormeces e eu morro. De qualquer forma, todos se sentem aliviados e seguem.
Querem que eu marche em círculos, mas eu preciso dar o fora! E a pior parte do círculo não é o fato do fim ser a mesma coisa que o começo, mas não ter cantos para libertar as lágrimas. É preciso esquecer, é preciso sair daqui...
Vão me arrastar para a correnteza, vão me torturar e eu vou esquecer. Depois vão me convencer de que és a verdade e a razão. E vou pensar se não foi daqui que comecei ou terminei, e, realmente, precisamos de escapismo. Vão me oferecer o violão para calar a boca; quero ser poetiza, mas eles querem música. A bilheteria desiste de mim; não acho correto recitar meus sonetos com umas cordas desafinadas no conjunto, mas quero meu jeito abstrato encaichado nos espaços já preenchidos por concreto no muro. Elogias e praguejas; meu caos não tem audiência, mas não me deixam sair daqui. Onde arranjo passaporte; não me respondes. Não entendo tuas intensões, mas entendo tuas ideias. Vou fingir não entender para não aparentar ser ridícula; sabes que sei tuas farsas de cor. Como a atriz que decorou as falas, mas tua bilheteria não me quer!
És verdade, és mentira. És concreto, és abstrato. És tudo, és nada. És término, és começo. És o tal sentimento Amor, em todos os sentidos mais puros e imundos, programado para explodir feito a bomba de Hiroshima. E não foi por aqui que nós entramos?