domingo, 27 de maio de 2012

Tudo bem; eu tô bem.

21 de maio de 2012


" [...] O que fazer agora? Nada; a não ser abrir a porta do caro e agradecer a carona, mesmo que de maneira sarcástica. Cada um seguindo sua estrada, você continua no carro. Eu vou me acostumar a andar de salto alto, só leva um tempo."

sábado, 12 de maio de 2012

Prelúdio Nº3


Aquele corvo me fez uma visita naquela madrugada fria. Não foi das mais agradáveis, dá para imaginar. Posso adiantar que foi pior do que seu hábito de perturbar, ah, e como foi... 
Estava quase adormecida, quando ele entrou no meu quarto. A porta estava trancada, a janela fechada. Esta, mesmo que aberta, teria grades e tela de proteção impedindo a surpresa do pássaro. Mas invadiu, deu um jeito. Sem charme e gingado de malandro carioca, a criatura assustadora encontrou alguma fresta. 
Que bom teria sido se me furasse a vista. Virou meus olhos, para que eu pudesse observar tudo o que estava dentro de mim. Para que eu desse uma boa lida nos arquivos que não consegui queimar. Para que eu tivesse plena consciência daquilo que tentei esconder de mim.
Como seu grito estridente seria muito mais agradável do que ser forçada a ouvir meu próprio berro silencioso...
Foi poesia dos desregrados. Foi sentir todo prazer reprimido entrando em putrefação avançada; meu corpo congelou.
E quando abri os olhos, o pássaro se foi. Fez o estrago, e deixou-me ali... A tremedeira dominando cada terminação nervosa de meu corpo. As lágrimas formavam as malditas retas paralelas de minha vida, aquelas que caminham juntas e nunca vão se encontrar. Meu sangue ia evaporando, mas deixava seu ferro, pesando em minhas veias. Minha boca tinha gosto de palavras amargas.
Pensei em Ney Matogrosso. E não dormi.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pequenas porções


Começa do cheiro, que vai escorregando pela atmosfera leve. Aquela mistura de café com chocolate, e uma pitada de nicotina. Aprendi a ficar encantada com esse cheiro. E ver beleza na simplicidade das camisetas de banda, das risadas espontâneas, do sorriso sincero. 
Nesses momentos, pareço ficar leve a ponto de evaporar diante de toda essa leveza. Leveza que finalmente consigo enxergar naquilo que muitos chamam de Rotina. Chamo de Conforto, e não me importo nem um pouco de confundirem com ócio. Faz bem rir do nada, sem ter um show aguardado, sem ter sido surpreendida. 
E o mais engraçado é que não fico assustada ao lembrar de que isso tudo vai passar. Como foi que a ideia do "nada é pra sempre" ficou natural para mim? Logo eu, que estava sempre com sentimentos à flor da pele. Nem sei, mas é bom saber que a vida é breve. Quero dizer, ajuda.
E agora os sebos ganharam um cheiro de esperança... Antes era apenas uma nostalgia que vivia procurando. Agora tudo soa como novidade. Complexo de entender, já que ninguém esteve lá para anotar. Mas eu sinto isso.
A vida nunca pareceu tão real e tão concreta. E para minha mente abstrata isso é inovador. Leva um tempo para acostumar a andar de salto, eles dizem.

( Desconfiados se sentem tão felizes com autoconfiança... Não posso fazer nada, a não ser rir um pouco. )